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quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Mês do Bezerra de Menezes

Unificação – Bezerra

65 anos do Pacto Áureo




Agosto é lembrado nas lides espíritas como o “mês de Bezerra de Menezes”, nascido aos 29/8/1831. Este vulto luminar legou-nos nobres exemplos de vida.
A FEB Editora publica várias obras de Bezerra, escritas como encarnado e desencarnado. Dispõe de uma obra que reúne mensagens de Bezerra, principalmente, as psicofonias de Divaldo Pereira Franco ocorridas durante o Conselho Federativo Nacional da FEB: Bezerra de Menezes, ontem e hoje. Há muitos livros sobre o vulto. Recentemente, Jorge Damas Martins lançou oportuno livro intitulado Bezerra de Menezes e Chico Xavier. O médico e o médium. Uma pesquisa de leitura agradável que destaca interessantes relações entre os dois vultos.
As mensagens espirituais de Bezerra se constituem em roteiro para o Movimento Espírita. Haja vista o texto “Unificação” (Psicografia de Francisco Cândido Xavier, em reunião da Comunhão Espírita Cristã, em 20-04-1963, em Uberaba). Esta mensagem foi estudada no livro Orientação aos órgãos de unificação1, grifando-se as palavras chaves das sentenças. No capítulo seguinte estas palavras chaves foram trabalhadas com a inserção de frases de apoio correlatas. Há trechos marcantes:
“O serviço da unificação e nossas fileiras é urgente mas não apressado. Uma afirmativa parece destruir a outra. Mas não é assim. É urgente porque define o objetivo a que devemos todos visar; mas não apressado, porquanto não nos compete violentar consciência alguma. [...] Nenhuma hostilidade recíproca, nenhum desapreço a quem quer que seja. Acontece, porém, que temos necessidade de preservar os fundamentos espíritas, honrá-los e sublimá-los, senão acabaremos estranhos uns aos outros, ou então cadaverizados em arregimentações que nos mutilarão os melhores anseios, convertendo-nos o movimento de libertação numa seita estanque, encarcerada em novas interpretações e teologias, que nos acomodariam nas conveniências do plano inferior e nos afastariam da Verdade.”
Essa publicação da FEB foi elaborada durante os 60 anos do “Pacto Áureo”, como fruto de elaboração coletiva do Conselho Federativo Nacional da FEB.
E já estamos atingindo os 65 anos do “Pacto Áureo”, no próximo dia 5 de outubro!1,2
Na mesma publicação citada há marcante colocação de Emmanuel (psicografia de Francisco Cândido Xavier, no dia 14/9/1948, em Pedro Leopoldo) que relaciona os momentos críticos que vivemos no cenário de nosso orbe e o papel que os espíritas podemos exercer com o potencial do “Consolador Prometido”:
“O mundo conturbado pede, efetivamente, ação transformadora. Conscientes, porém, de que se faz impraticável a redenção do Todo, sem o burilamento das partes, unamo-nos no mesmo roteiro de amor, trabalho, auxílio, educação, solidariedade, valor e sacrifício que caracterizou a atitude do Cristo em comunhão com os homens, servindo e esperando o futuro, em seu exemplo de abnegação, para que todos sejamos um, em sintonia sublime com os desígnios do Supremo Senhor.”1
No contexto dos 65 anos do “Pacto Áureo” as colocações de Bezerra e Emmanuel devem servir de reflexões para nossas ações e projetos no Movimento Espírita!
Referências:


Antonio Cesar Perri de Carvalho é presidente da Federação Espírita Brasileira.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Personalidade Espírita: Paulo Goulart (in memória)

  
Paulo Goulart
Ator e Espírita

  “Não julgar, estudar sempre, não se acomodar, fazer nossa parte, criando com isso a sintonia com as leis universais”.
     Assim, o ator Paulo Goulart definia o aprendizado que a vida como adepto da Doutrina Espírita lhe proporcionou. Ele desencarnou, aos 81 anos, no último dia 13 de março, em decorrência de um câncer, na cidade de São Paulo. Paulo morreu por volta das 13h30, na unidade semi-intensiva do Hospital Beneficência Portuguesa. No momento de seu desencarne, ele estava cercado por todos da família, a mulher, Nicette Bruno, os filhos, os atores Beth Goulart, Bárbara Bruno e Paulo Goulart Filho, e os netos. O enterro será na sexta-feira (14) no Cemitério da Consolação.
            “O ser espírita é em realidade o agir espírita, o pensar espírita. O equilíbrio entre os polissistemas espiritual e material nos dá o prazer de dormir com a consciência tranqüila e, assim, de estarmos energizados para o dia seguinte”, dizia, ao falar do seu dia a dia, fosse em família – era casado com a também espírita Nicete Bruno e pai de Beth, Bárbara e Paulo, todos espíritas  -, fosse na vida profissional.
            Segundo ele, tornou-se espírita porque “todos nascemos com uma missão a cumprir! Procuro cumprir a minha vivenciando a moral espírita e seguindo os fundamentos básicos da doutrina: vivenciar a verdade, não julgar, estudar sempre, não me acomodar, ser generoso. Enfim, fazer a nossa parte, criando assim a sintonia com o polissistema espiritual. Além dos já enumerados, aprendemos que não existe efeito sem causa”!
              Nascido Paulo Affonso Miessa, mas se tornou conhecido como Paulo Goulart. Embora tenha nascido em Ribeirão Preto, cresceu em Olímpia, ambos municípios do estado de São Paulo. Ainda menino, teve algumas experiências na Rádio de Olímpia, que era propriedade de seu pai. Chegou até mesmo a participar de um quarteto de vozes, conhecido como “Quarteto Tupã”. Mas aos 16 anos foi para a capital estudar Química Industrial, curso que abandonou no segundo ano. E quem ganhou foi a cultura brasileira!
           Quando jovem, Paulo Affonso Miessa dizia à mãe que já tinha nascido ator. A brincadeira – que mais tarde se concretizou – vinha do fato de que ele nasceu poucas horas depois dela ter assistido a uma apresentação no circo que visitava a cidade. Era o dia 9 de janeiro de 1933.
            Em São Paulo, Goulart fez testes como locutor e rádio ator, tendo sido contratado. Esse foi o começo de uma trajetória de sucesso. Na televisão, participou da primeira novela em horário nobre na TV Paulista, e logo em seguida teve oportunidade de fazer teatro. Foi então que conheceu Nicete Bruno, com quem se casou em 1954.
            Mais tarde, a família morou também no Rio de Janeiro e em Curitiba. Espírita, Paulo Goulart acredita que quem tem uma vida pública está sempre exposto. “Por isso, devemos estar sempre atentos, prudentes, pacientes e agradecidos por toda e qualquer manifestação pública”, afirmava.
             No teatro ou na televisão não chegou a atuar em peça teatral ou novela que abordasse a Doutrina Espírita, mas no cinema atuou nos filmes  “Nosso Lar” e “As Vidas de Chico Xavier”, neste último interpreta o apresentador do célebre programa Pinga Fogo, Saulo Gomes, experiência que ele apontava como muito enriquecedora.
              “Na época do programa, lembro de ter ficado grudado na TV assistindo a entrevista concedida pelo Chico Xavier, o qual conheci em várias situações. Em plena  ação, no lançamento de um de seus livros em São Paulo, e até no finalzinho da vida, quando ele estava bem fraquinho”, conta Paulo, que, nas filmagens  teve mais um “encontro” com Chico – só que dessa vez, na pele de Nelson Xavier.
               Ao encontrar Nelson no set, Paulo lhe dá um abraço forte e comenta a semelhança entre ator e personagem. “Pra mim foi muito especial, por razões bastante óbvias, ser chamado para este filme”, confessava.

 "Todos nascemos com uma missão a cumprir! Procuro cumprir a minha vivenciando a moral espírita e seguindo os fundamentos básicos da doutrina: vivenciar a verdade, não julgar, estudar sempre, não me acomodar, ser generoso. Enfim, fazer a nossa parte, criando assim a sintonia com o polissistema espiritual. Além dos já enumerados, aprendemos que não existe efeito sem causa!"    
                                                Goulart em entrevista à revista Ser Espírita


http://www.redeamigoespirita.com.br/profiles/blogs/paulo-goulart-uma-vida-pautada-pelo-espiritismo?xg_source=activity

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

O DIA DE FINADOS NA VISÃO ESPÍRITA






O dia de finados na visão espírita

Dia dois de novembro é marcado pelo dia de finados, um feriado relacionado a morte. A Doutrina Espírita nos mostra que somos Espíritos eternos e imortais. Quando encarnados, temos o corpo físico, o corpo espiritual (o perispírito) e o Espírito.
Quando desencarnados, nos desligamos de nosso corpo físico. A vontade, a inteligência, as emoções, tudo está no Espírito. Portanto, logo percebemos que a morte como conhecemos não existe. Ninguém morre, no sentido de acabar. O espírito é eterno e imortal. A morte então é uma passagem do plano físico para o plano espiritual. Isso se dá para que desenvolvamos nossas qualidades morais. E embora tenhamos um grande desenvolvimento intelectual, a morte ainda não é bem entendida para a maioria de nós, mesmo os espiritualistas e até os espíritas, se tocarmos no sentido do apego. Embora o entendimento esteja na mente, o coração responde diferente.
Não é à toa que uma enorme quantidade de espíritos desencarnados expressarem suas dificuldades na vida de além túmulo, com relação as saudades de seus entes queridos, e vice-versa. E é este excesso de apego que cria situações extremamente desconfortantes, onde entramos em grande desequilíbrio nos momentos de separação mais brusca.
Mesmo quem entende a morte, sofre a dor da separação. Porém, é preciso modificar a nossa ideia acerca da vida, que não se resume a vida material, mas essencialmente a vida espiritual. Nossos entes queridos são empréstimos de Deus para que possamos nos desenvolver cada vez mais. Mas que amor é esse, que desenvolvemos por eles, que em vez de pacificar nossa evolução, que em vez de fazer o bem, acaba prejudicando com o peso da saudade?
O dia de finados deve ser visto então como mais um dia em que devemos elevar nosso pensamento a Deus, orando fervorosamente por aqueles que já partiram, para que esta prece, feita sempre de coração, seja um alívio para aqueles que nós amamos e já partiram para a pátria espiritual.
A prece está entre os maiores bens que podemos fazer em benefício daqueles que já partiram, mas não é estagnada a apenas uma data no ano. Se quem partiu está na condição de sofrimento ou de perturbação, a prece será de grande benefício.
Se quem partiu está consciente, lúcido de sua realidade espiritual, da mesma forma, a prece chegará como um bálsamo ao coração de quem amou, pela lembrança e pelo carinho.


Vejamos o que nos dizem os Espíritos, através de Kardec:

321. O dia da comemoração dos mortos é, para os Espíritos, mais solene do que os outros dias? Apraz-lhes ir ao encontro dos que vão orar nos cemitérios sobre seus túmulos? "Os Espíritos acodem nesse dia ao chamado dos que da Terra lhes dirigem seus pensamentos, como o fazem noutro dia qualquer."

a) - Mas o de finados é, para eles, um dia especial de reunião junto de suas sepulturas? "Nesse dia, em maior número se reúnem nas necrópoles, porque então também é maior, em tais lugares, o das pessoas que os chamam pelo pensamento."


323. A visita de uma pessoa a um túmulo causa maior contentamento ao Espírito, cujos despojos corporais aí se encontrem, do que a prece que por ele faça essa pessoa em sua casa? "Aquele que visita um túmulo apenas manifesta, por essa forma, que pensa no Espírito ausente. A visita é a representação exterior de um fato íntimo. Já dissemos que a prece é que santifica o ato da rememoração. Nada importa o lugar, desde que é feita com o coração." ("O Livro dos Espíritos")




COMO PODEMOS AJUDAR OS QUE PARTIRAM ANTES DE NÓS? 
Envolvendo o ser querido em vibrações de carinho, evocando as lembranças felizes, nunca as infelizes; enviando clichês mentais otimistas; fazendo o bem em memória dele, porque nos vinculamos com os Espíritos através do pensamento. Além disso, orando por ele, realizando caridade em sua homenagem, tudo isso lhe chegará como sendo a nossa contribuição para a sua felicidade; a prece dá-lhe paz, diminui-lhe a dor e anima-o para o reencontro futuro que nos aguarda.

PODEMOS CHORAR? 
Podemos chorar, é claro. Mas saibamos chorar. Que seja um choro de saudade e não de inconformação e revolta. O choro, a lamentação exagerada dos que ficaram causam sofrimento para quem partiu, porque eles precisam da nossa prece, da nossa ajuda para terem fé no futuro e confiança em Deus. Tal comportamento pode atrapalhar o reencontro com os que foram antes de nós. Porque se eles nos visitar ou se nós os visitarmos (através do sono) nosso desequilíbrio os perturbará. Se soubermos sofrer, ao chegar a nossa vez, nos reuniremos a eles, não há dúvida nenhuma.

ENTÃO OS ESPÍRITAS NÃO VISITAM O CEMITÉRIO? 
Nós espíritas não visitamos os cemitérios, porque homenageamos os “vivos desencarnados” todos os dias. Mas a posição da Doutrina Espírita, quanto as homenagens (dos não espíritas), prestadas aos "MORTOS" neste Dia de Finados, ao contrário do que geralmente se pensa, é favorável, DESDE QUE SINCERAS E NÃO APENAS CONVENCIONAIS.

Os Espíritos, respondendo a perguntas de Kardec a respeito (em O Livro dos Espíritos), mostraram que os laços de amor existentes entre os que partiram e os que ficaram na Terra justificam esses atos. E declaram que no Dia de Finados os cemitérios ficam repletos de Espíritos que se alegram com a lembrança dos parentes e amigos. Há espíritos que só são lembrados nesta data, por isso, gostam da homenagem; há espíritos que gostariam de serem lembrados no recinto do lar. Porque, se ele desencarnou recentemente e ainda não está perfeitamente adaptado às novas realidades, irá sentir-se pouco à vontade na contemplação de seus despojos carnais; Espíritos com maior entendimento, pedem que usemos o dinheiro das flores em alimento aos pobres. Portanto, usemos o bom senso em nossas homenagens. Com a certeza que ELES VIVEM. E se eles vivem, nós também viveremos. E é nessa certeza que devemos aproveitar integralmente o tempo que estivermos encarnados, nos esforçando para oferecer o melhor de nós em favor da edificação humana. Só assim, teremos um feliz retorno à pátria espiritual.

http://grupoallankardec.blogspot.com.br/2010/10/o-que-o-espiritismo-diz-sobre finados.html

sábado, 8 de junho de 2013

Homossexualidade à luz da Doutrina Espírita





PORQUE FALAR DE HOMOSSEXUALIDADE

Por ser um assunto pouco compreendido de um ponto de vista moral: Ser gay é um defeito que deve ser corrigido? É uma virtude que deve ser incentivada? O gay é menos evoluído espiritualmente? Ser gay é uma provação para o Espírito? Uma obsessão espiritual? Pode ser revertido?
À luz da doutrina espírita, porque estaremos tomando o espiritismo como referência. Em O Livro dos Espíritos , como em nenhuma das obras básicas, encontramos alguma referência direta à questão homossexual. Provavelmente porque não era algo muito cogitado no tempo de Kardec, apesar de os relacionamentos homossexuais remontarem à Antiguidade, havendo referências ao assunto em escritos de grandes filósofos, como Platão. Mesmo assim, encontramos nas informações dos espíritos da codificação, revelações sobre a sexualidade humana que podem nos ajudar a constituir uma opinião “espírita” acerca deste tema, atualmente tão em voga.
Também nas obras complementares encontraremos esclarecimentos da espiritualidade sobre o assunto, aos quais recorremos para referendar posturas espíritas que poderemos adotar.
Não vamos nos deter nas explicações psicológicas, genéticas etc., por não ser o objetivo desta palestra. O que desejamos é refletir sobre como pode se posicionar o espírita diante do assunto. Por isso o nome HOMOSSEXUALIDADE À LUZ DA DOUTRINA ESPÍRITA.

O SEXO À LUZ DO ESPIRITISMO

Quando abordamos este assunto, imediatamente nos remetemos à pergunta n.º 200 de O Livro dos Espíritos :

“Os Espíritos têm sexo? – Não como o entendeis, porque os sexos dependem da constituição orgânica. Há entre eles amor e simpatia, mas baseados na afinidade de sentimentos."

Muita gente entende a partir desta resposta que os Espíritos não têm sexo. Mas não é o que está expresso. A resposta é “não como o entendeis”, porque nós, encarnados, definimos os sexos a partir da “constituição orgânica”. E o Espíritos, não.
Pensemos o sexo como energia, que podemos chamar libido, que a própria psicologia define como sendo a energia utilizada não apenas na realização do ato sexual, mas em toda ação criadora.
Esta energia sexual, segundo o Espírito André Luiz, na obra Evolução em Dois Mundos, está presente em todos os reinos da natureza.

• Nos minerais manifesta-se como a força que sustenta o intercâmbio entre as cargas positivas e negativas do átomo;

• Nos vegetais já se manifesta como feminino e masculino;

• Nos animais apresenta-se como instinto, e como as primeiras nuances de sentimentos;

• Nos humanos o sentimento se fortalece e o instinto a ele se sujeita;

 Nos espíritos de luz é o sentimento do amor por excelência, sem a interferência dos instintos (como se o amor tivesse se tornado o instinto).

Em suma, a energia sexual ou força de amor é aquela que promove a união criativa entre pólos opostos de uma mesma realidade. O diagrama do Tai Chi, aqui ilustrado, é muito conveniente para explicar a relação entre os opostos. Significa que os contrários emergem um do outro. Como no diagrama, nós enquanto espíritos imortais, possuímos ambos os pólos sexuais, que são o feminino e o masculino. O equilíbrio consiste em manter esta harmonia de relação entre os contrários. No Taoísmo as polaridades são denominas Yin e Yang. No espiritismo, qualidades passivas e positivas. Uma prova disso é a frase de André Luiz, do livro “Ação e Reação”:

“(...) o sexo, na essência, é a soma das qualidades passivas ou positivas do campo mental do ser (...).”

Agora que já sabemos que do ponto de vista espiritual somos femininos e masculinos, podendo reencarnar como homens ou mulheres, segundo as necessidades de desenvolvimento, vamos compreender um pouco a sexualidade do ponto de vista da vida carnal.

DETERMINAÇÃO DA SEXUALIDADE NA DIMENSÃO DA CARNE

• Pelo sexo biológico: Homens possuem o par de cromossomos XY que determina as características do sexo masculino; mulheres possuem o par de cromossomos XX que determina o fenótipo feminino.

• Pela orientação sexual: Uma duradoura atração emocional, romântica, afetivo-sexual. Atualmente três formas de atração afetivo-sexual são consideradas normais:

- A heterossexualidade – atração pelo sexo biológico oposto
- A homossexualidade – atração pelo mesmo sexo biológico
- A bissexualidade – atração por ambos os sexos biológicos

HOMOSSEXUALIDADE

O adjetivo homossexual significa literalmente "mesmo sexo", sendo um híbrido formado a partir de Grego homo- (uma forma de homos "mesmo"), e "sexual" do latim medieval sexualis. Preferimos usar a palavra Homossexualidade no lugar de Homossexualismo porque o sufixo "ismo" é preferencialmente utilizado para referenciar posições filosóficas ou científicas sobre algo. Em alguns dicionários, o homossexualismo aparece definido por prática de atos homossexuais, enquanto o termo homossexualidade é aplicado a atração sentimental e sexual. A homossexualidade, como dissemos, é uma das variantes da sexualidade humana, cujo reconhecimento possui o seguinte histórico:

• Em 1869 foi criado o termo homossexualidade por um psiquiatra húngaro chamado Karoly Benkert; nesta época a Alemanha prendia como criminosos os homens que praticavam sexo com outros homens, mas Benkert argumentou que não era caso de prisão, e sim tratamento, pois se tratava de uma doença mental. Com o termo nasceu o seu oposto, heterossexualidade. Durante quase um século o estudo da homossexualidade foi efetivado dentro dos hospitais psiquiátricos e apenas com os estudos feitos com homossexuais estáveis e bem adaptados à sociedade é que se começou a pensar na possibilidade de não se tratar de uma doença;
• Em 1973 a Associação Americana de Psiquiatria deixou de catalogar a homossexualidade como doença, seguida em 1975 pela Associação de Psicologia Americana;
• Em 1993 a Organização Mundial de Saúde retirou a homossexualidade da lista das doenças mentais;
• Em 1995, no Brasil, o Conselho Federal de Medicina deixou de reconhecer a homossexualidade como doença mental, mas manteve a definição de distúrbio psicológico e passível de tratamento psicoterápico;
• Em 1999 o Conselho Federal de Psicologia estabeleceu que a homossexualidade não pode ser vista como desordem psíquica e qualquer profissional que se proponha a curá-la está ferindo o Código de Ética dos Profissionais de Saúde.

Atualmente o CID – 10 estabelece que a orientação sexual, por si só, não pode ser considerada determinante de transtorno psíquico. Significa que, para todos os efeitos, segundo as leis que regem a atuação dos diversos profissionais de saúde, a HOMOSSEXUALIDADE NÃO É DOENÇA!

EXPLICAÇÃO DA HOMOSSEXUALIDADE

A grande verdade é que, do ponto de vista científico, não existe uma explicação definitiva de porque alguns indivíduos sentirem atração afetivo-sexual por outros do mesmo sexo ou de ambos os sexos. O que a Ciência conseguiu identificar, até agora, é que o comportamento sexual sofre influência de fatores genéticos, educacionais, ambientais; mas nada conclusivo.
Como espíritas, porém, sabemos que a dificuldade explicativa da Ciência deve-se ao fato de não reconhecer a existência do Espírito. Como dissemos, a sede do sexo está no Espírito.
Mas, mesmo entre os espíritas, há muita dúvida sobre como se posicionar ante a questão da homossexualidade. É normal ou não? Esta é a pergunta central, que se encontra por detrás de outra, bem mais significativa do ponto de vista religioso:

É CONTRÁRIA ÀS LEIS DE DEUS?

Bem, vamos refletir um pouco sobre esta pergunta. Uma explicação espírita para a homossexualidade está nos casos de inversão. O que é isso?
Dissemos que a sede do sexo está no espírito, não por uma determinação biológica. Biologicamente, os espíritos não têm sexo, mas psicologicamente possuem os dois. A questão 202 de O Livro dos Espíritos afirma que os espíritos tanto podem encarnar homens como mulheres, dependendo da experiência que devem passar, do aprendizado que precisam adquirir. André Luiz, no livro Ação e Reação diz que é natural que o espírito acentuadamente masculino venha a reencarnar muitas vezes como homem, e o acentuadamente feminino frequentemente como mulher. Entretanto, pode acontecer uma inversão.
Ora, se por muitas encarnações um espírito vivenciou sua sexualidade como homem, envolvendo-se com mulheres, é compreensível que, mesmo reencarnando como mulher, ainda sinta atração sexual por mulheres. Vejamos a frase de André Luiz:

“Inúmeros espíritos encarnam em condições inversivas, seja no domínio de lides expiatórias ou em obediências a tarefas específicas, que exigem duras disciplinas por parte daqueles que as solicitam ou que as aceitam.”

Que duras disciplinas são estas às quais se refere André Luiz? Será que o homossexual deve abster-se de uma vida sexulamente ativa por ser a homossexualidade uma prática contrária às leis de Deus?
Chegamos ao clímax de nossa palestra! Prestemos atenção ao seguinte: ORIENTAÇÃO SEXUAL É DIFERENTE DE COMPORTAMENTO SEXUAL. Há na Bíblia uma frase fantástica, atribuída à Paulo de Tarso:

“Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém”.

O QUE CONVÉM SEXUALMENTE?

Diz Emmanuel, em Vida e Sexo:

“Não proibição, mas educação. Não abstinência imposta, mas emprego digno com devido respeito aos outros e a si mesmo (...).” 

O que nos convém é, portanto, um comportamento sexual saudável, seja qual for nossa orientação sexual.
Pedir a um homossexual que se abstenha é a mesma coisa que pedir a um heterossesexual. E a abstinência involuntária é porta aberta ao desequilíbrio, como na Idade Média, quando o sexo era sinônimo de pecado e somente devia ser praticado com fins procriativos. Quanto desequilíbrio custou esta visão distorcida do celibato! Quantas mulheres prostituídas, crianças vítimas de pedofilia, por conta de nossa ignorância acerca do sexo!
Meu irmãos, se o sexo é a união criativa, é força de equilíbrio, e detê-la é promover o desequilíbrio. Verdade que, quanto mais desmaterializado o ser, menos material será sua sexualidade, e menos polarizada. São os casos de Jesus, de Francisco de Assis. Não é que eles não tivessem energia sexual, mas neles ela foi sublimada, totalmente sutilizada. Porém é um processo evolutivo espontâneo, não imposto.
Mas, a relação sexual entre seres do mesmo sexo, não é contrária à Natureza? Os corpos masculino e feminino não foram feitos no modelo côncavo e convexo justamente para se completarem? E, uma vez que um casal homossexual não pode gerar filhos, qual o sentido de sua união?
O homem, diferentemente de outros animais, tem o poder de alterar a marcha da natureza. Muitas coisas não são ”naturais”, e isso não quer dizer que sejam ruins. Não podemos afirmar que a homossexualidade não seja natural, uma vez que existem relações homossexuais até mesmo entre animais, que são puramente instintivos. Mas a teoria dos corpos côncavo e convexo pode ser um desafio, se não prestarmos atenção ao fato de estarmos sempre extrapolando os limites de nossos corpos.
Nossos corpos não possuem asas e graças a Deus, Santos Dummont não pensou que, por causa disso, não deveríamos voar! Os corpos fazem parte do nosso Ser, mas somos mais que nossos corpos! Parafraseando o Cristo, em sua afirmativa sobre o dia de sábado, podemos dizer: O HOMEM NÃO FEITO PARA O CORPO, MAS O CORPO FOI FEITO PARA O HOMEM. Não é o nosso corpo que dita o que devemos fazer, mas nossa consciência. E a Lei que deve reger nossa consciência é: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.”
Quanto ao sexo para fins procriativos, há casais que não podem ter filhos, assim como os gays. Então, eles também devem abster-se da prática sexual? O sexo é uma troca de energias que, sob a força do amor, torna-se usina de renovação. Não é apenas para procriar que existe. Não somos apenas corpos, repito, mas também espíritos.
O espiritismo, sobre este assunto, se antecipou em anos à Medicina e ao Direito da atualidade, pois em 1963, no livro Sexo e Destino, do Espírito André Luiz, o benfeitor Félix já dizia:

“(...) no mundo porvindouro os irmãos reencarnados, tanto em condições normais, quanto em condições julgadas anormais segundo os valores da sociedade, serão tratados em pé de igualdade, no mesmo nível da dignidade humana (...)”

Esta, meus irmãos, é a marcha do progresso!
Muita paz!


O Namoro na Visão Espírita

Dia dos Namorados chegando... veja esse artigo espírita sobre namoro e relacionamentos.




Por - Gilberto L. Tomasi

Muito embora as vezes, seja motivo de piada, em função da mentalidade atual, é necessário falar sobre  o tema porque ele está na raiz de muitos problemas que envolvem a evolução humana. A própria palavra “namoro” perdeu o sentido inicial de despertar amor, de criar situações para o conhecimento entre os parceiros. E, para que duas pessoas possam se relacionar harmoniosamente, a condição indispensável é que se conheçam bem.

Antigamente namorar era envolver-se com o outro no sentido de perceber as afinidades ou as incompatibilidades entre o casal. Hoje isto parece remoto e  namorar ficou ridículo. Não se namora mais, fica-se, atitude muitas vezes traduzidas na expressão, um pouco vulgar, “catar”.A menina ou o menino foi “catado”.

Com o espiritismo, sabemos que estamos na terra para o progresso espiritual. Todas as oportunidades da vida material devem ser pois, de forma consciente transformadas em  degraus evolutivos. Assim sendo, nossa vida afetiva, especialmente, é ponto crucial para esse objetivo.

 Com kardec, aprendemos que  a poligamia,  coisa corriqueira nos namoros atuais, significa atraso moral, pois o poligâmico se preocupa  apenas consigo mesmo desrespeitando  o sentimento do parceiro. É a vitória do orgulho e do egoísmo que aí encontram mais um estímulo para permanecerem no coração humano,

Em contrapartida, a monogamia desperta no casal o estímulo para a construção da  vida a dois e, ao longo dos tempos, superando as crises, as diferenças individuais, vai harmonizando-se, construindo o amor sereno e profundo que traz a felicidade pelo amadurecimento espiritual.

Todo o relacionamento conjugal precede de um determinado tempo de maturação afetiva, marcado por um período denominado namoro. Portanto, segundo a visão espírita, traduzida pelas palavras de Emanuel (espírito) no livro Vida e Sexo o namoro se traduz por um suave encantamento, onde dois serem descobrem um no outro de maneira imprevista, motivos para a entrega recíproca, numa relação saudável. Relação essa, que termina em casamento ou relação estável.

O livro dos espíritos, nas questões 695/696, nos ensina que o casamento, ou a união estável nos dias atuais, é um progresso na marcha da humanidade, e que sua abolição significaria o retorno à vida animal. E, guardadas as devidas proporções, o ato de ficar, que vai do simples beijo até a relação sexual, nada mais é do que a banalização do desrespeito ao ser humano, que é usado e jogado fora como algo descartável, e facilmente substituível. Hoje, troca-se de parceiro como quem troca de roupa, sem se deter sequer no tipo de sentimento que se provoca no outro, e nem sem si mesmo.

As pessoas, especialmente os jovens não dão tempo para o jogo da conquista, para o despertar dos sentimentos antigos que vêm do passado remoto, de outras encarnações, quando se prometeram um ao outro. E, depois choram por não encontrar um parceiro digno de seu amor.

O ficar não apenas desestimula um relacionamento mais profundo como alimenta a infidelidade, que aumenta  no casamento. O jovem de hoje passa pelo difícil teste de ter responsabilidade para bem direcionar a liberdade que conquistou para construir a vida feliz que sonha.

Sexo e responsabilidade precisam ser inseparáveis nos relacionamentos afetivos. Eis que namorar é preciso. Namorar mesmo . E não apenas ser amantes.

Agora, qual foi o fator que desencadeou o famoso ficar ? A decadência moral.  Há anos  atrás, tinha um programa na televisão, que era apresentado por Martha Suplicy, e nesse programa ela estimulava as moças a ficarem. Dizia ela, que era uma conquista feminina, igualando-se ao homem que sempre ficou. Isto foi um estímulo importante para o ficar. Só que propiciou à mulher igualar-se ao homem naquilo que ele tinha de mais negativo, a irresponsabilidade na lida com o sexo.

É bem verdade, que há bem pouco tempo tivemos uma grande e absurda repressão no campo sexual, hoje a liberdade é mais do que irrestrita. Entre esses dois extremos está o meio termo, o equilíbrio, se  questiona portanto,  se os espíritas não estão muito apáticos com a situação, achando tudo muito normal.

Acontece, que a toda repressão, segue-se uma liberação natural, a história nos tem mostrado isso. Entretanto, o espírita, tem muita responsabilidade porque ele sabe do valor do sexo na construção do futuro feliz e precisa educar seus filhos com este pensamento.

Os jovens precisam saber da responsabilidade que têm no relacionamento afetivo. Os adultos precisam saber que as relações sexuais trazem comprometimento espiritual e, consequentemente, não podemos viver como se isso não existisse. Mas, é difícil enfrentar a sociedade que na maioria das vezes policia um comportamento mais vinculado à moral mais ligado ao compromisso espiritual. É aí que o espírita tem entregado os pontos também.

Esse tema é importante por nos leva a reflexão, buscando em Jesus a orientação para o nosso aprimoramento espiritual. Devemos lembrar que quando Emmanuel fala em lar constituído, não se refere a papéis, a casamento civil, etc.., ele fala da responsabilidade um com o outro, de assumir o filho que vier, de assumirem-se um ao outro não trocando de parceiro na primeira oportunidade.

Os namoros, hoje em dia, não têm compromisso de construção de uma família pela felicidade do relacionamento sexual. Assim, na primeira discussão, termina-se o namoro, arranja-se outro parceiro e aí um novo relacionamento sexual no famoso “ficar”

Se o casal se ama e tem maturidade para o relacionamento sexual, que se case, ou vão morar juntos então Sexo, é comprometimento afetivo e sentimental com relação ao parceiro. Ao mesmo tempo em que o casal se vincula energeticamente um ao outro, marcando-se, gerando compromissos dentro da lei de causa e efeito.

As pessoas, os “ficantes”, ainda não entendem, que relação sexual não acaba após o orgasmo. Ela gera efeitos no campo magnético dos envolvidos. E a falta de responsabilidade, nessa relação, gera efeitos, geralmente desagradáveis, como a vida tem nos mostrado.

Nós espíritas, sabemos, que somos espíritos encarnados com o objetivo do progresso. O corpo físico é dotado das características sexuais com as quais deveremos conquistar esse progresso. O sexo, assim, tem a função principal de gera filhos, de perpetuar a espécie.

Na questão 298 do livro dos espíritos, vemos que a maior parte dos relacionamentos matrimoniais que são felizes, só o são, relativamente pelas afinidades de suas inclinações e instintos. Apenas nas esferas superiores, nos dizem os espíritos, é que encontra a verdadeira união e reciprocidade entre os espíritos.


Consultas – Vida e Sexo (Emanuel)
O Livros dos Espíritos ( A Kardec)
Pesquisa diversas


Fonte: http://doutrinaespiritananet.blogspot.com.br/2012/06/namorar-ou-ficar.html

domingo, 5 de maio de 2013

Carta a minha mãe



                                             

Mãe, quando eu comecei a escrever esta carta, usei a pena do carinho, molhada na tinta rubra do coração ferido pela saudade. As notícias, arrumadas como pérolas em um fio precioso, começaram a saltar de lugar, atropelando o ritmo das minhas lembranças. Vi-me criança orientada pela sua paciência. As suas mãos seguras, que me ajudaram a caminhar. E todas as recordações, como um caleidoscópio mental, umedeceram com as lágrimas que verteram dos meus olhos tristes. Assumiu forma, no pensamento voador, a irmã que implicava comigo.

Quantas teimas com ela. Pelo mesmo brinquedo, pelo lugar na balança, por quem entraria primeiro na piscina. Parece-me ouvir o riso dela, infantil, estridente. E você, lecionando calma, tolerância. Na hora do lanche, para a lição da honestidade, você dava a faca ora a um, ora a outro, para repartir o pão e o bolo. Quantas vezes seu olhar me alcançou, dizendo-me, sem palavras, da fatia em excesso por mim escolhida. As lições da escola, feitas sob sua supervisão, as idas ao cinema, a pipoca, o refri.

Quantas lembranças, mãe querida! Dos dias da adolescência, do desejar alçar voos de liberdade antes de ter asas emplumadas. Dos dias da juventude que idealizavam anseios muito além do que você, lutadora solitária, poderia me oferecer. Lágrimas de frustração que você enxugou. Lágrimas de dor, de mágoa que você limpou, alisando-me as faces.

Quantas vezes ouço sua voz repetindo, uma vez mais: Tudo tem seu tempo, sua hora! Aguarde! Treine paciência! E de outras vezes: Cada dia é oportunidade diferente. Tudo que você tem é dádiva de Deus, que não deve desprezar. A migalha que você despreza pode ser riqueza em prato alheio. O dia que você perde na ociosidade é tesouro jogado fora, que não retorna. Lições e lições.

A casa formosa, entre os tamarindeiros assomou na minha emoção. Voltei aos caminhos percorridos para invadi-la novamente, como se eu fosse alguém expulso do paraíso, retornando de repente.

Mãe, chegou um momento em que a carta me penetrou de tal forma, que eu já não sabia se a escrevera. E porque ela falava no meu coração dorido, voei, vencendo a distância. E vim, eu mesmo, a fim de que você veja e ouça as notícias vibrando em mim.
Mãe, aqui estou. Eu sou a carta viva que ia escrever e remeter a você.
*   *   *
Entre as quadras da vida e as atividades que o mundo o envolve, reserve um tempo para essa especial criatura chamada mãe.
Não a esqueça. Escreva, telefone, mande uma flor, um mimo.
Pense quantas vezes, em sua vida, ela o surpreendeu dessa forma.
E não deixe de abraçá-la, acarinhá-la, confortar-lhe o coração.
Você, com certeza, será sempre para ela, o melhor e mais caro presente.

Redação do Momento Espírita, com frases do cap. XVI do livro Pássaros Livres, pelo Espírito Rabindranath Tagore, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.
Disponível no CD Momento Espírita v.18, ed. Fep.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

As Três Bandeiras do Espiritismo




Aprendizes do Espiritismo, recebemos três diretrizes, verdadeiros fundamentos para a nossa vida: “Trabalho, solidariedade e tolerância”; reforma íntima e “fora da caridade não há salvação”.
A visão espírita do trabalho ultrapassa de largo o exercício de uma profissão. O trabalho é uma lei moral, tem a ver com o ensino de Jesus: “Meu Pai trabalha sempre!”. Portanto, trabalhar é uma permanência, uma indispensabilidade, uma decorrência de nossa condição humana. Tudo trabalha em a natureza. Mas o trabalho do homem é mais que automatismo. Semear, cuidar, compartilhar, criar, servir, são alguns verbos associados ao nosso conceito de trabalho. Mesmos idosos ou doentes, podemos trabalhar com a mente, o coração vibrando de amor, ternura e paz.
O ser solidário antepõe-se ao ser solitário. Não se trata de um jogo de palavras. Na verdade nossa humanidade está muito cheia de solitários. Os famintos, os excluídos de toda ordem, que não têm atenção, carinho, respeito, compreensão. Tanto no plano espiritual quanto entre as nações, é ainda muito recente o conceito de apoio mútuo, de interdependência. Tais solidões geram dor, sofrimento, iniqüidades. O mundo está cansado de sofrer. Necessita de nova economia, nova gestão de recursos naturais, renovada preocupação com o meio ambiente e, sobretudo, nova leitura a respeito das relações humanas.
Tolerar é aceitar e conviver com as diferenças. Ainda bem que há diferenças! A riqueza da criação está justamente nas coisas distintas, nas escolhas diversas. Como se fosse um caleidoscópio, ajustadas e aceitas as partes, o todo se renova e provoca novas e desafiadoras surpresas a cada momento. O outro é legítimo, preciso aceitar isso a priori, a fim de que, juntos, possamos construir uma realidade mais bela e melhor. Naturalmente implica em abdicar de posições próprias definitivas e excludentes. Mas esse é o exercício do cidadão espírita universal.
No entanto, como ser solidário, aceitas diferenças e entender o trabalho como um dever moral se mantivermos os mesmos padrões do homem velho, hostil, maledicente, egoísta? É aí que a segunda bandeira, bússola comportamental, a reforma íntima, entra em ação em nós. Renovação! Novos hábitos físicos, mentais, espirituais. Oração, vigilância, disciplina, todo dia, toda hora, pensamento a pensamento, palavra a palavra, atitude a atitude. Desafio em que o velho homem das cavernas continua firme, um pouco escondido pela educação aparente, mas firme e forte, dentro de nós. Qualquer invigilância ele retorna num comentário mais ferino, num deboche azedo, na velha preguiça, na paixão sem controle.
A melhor ferramenta da reforma íntima é a caridade, conforme aprendemos na questão 886 de O Livro dos Espíritos. Há três palavras-chave da caridade: benevolência, indulgência e perdão. Para que haja caridade temos que querer o bem do próximo, adoçarmo-nos internamente e oferecer a ele o melhor de nós mesmos. Estes são os sentidos de bene + forma derivada do verbo latino volo: trata-se de uma força íntima que nos faz querer bem ao outro, independente de quem o outro seja; de indulgência, forma latina para apreço, concordância; e do latim per, que significa complemente + forma do verbo latino dono, que significa dar, dar de presente, perdoar.
A caridade, portanto, é de ordem moral. Trata-se de uma visão salvadora de dentro para fora do ser, ao contrário de outras visões de salvação, de fora para dentro da criatura. A caridade, enquanto não se torna espontânea, natural em nós, exige esforço. Os espíritos superiores vivem em estado de caridade. Nós exercitamos a caridade ainda ocasionalmente. Dia virá, no entanto, que nosso comportamento usual será verdadeiramente caritativo. Aí poderemos dizer, parafraseando Paulo “… já não sou eu quem vive, é Cristo que vive em mim”. (Gálatas 2,20)
Autor (a): Cesar Reis
Revista Cultura Espírita – nº 33 – página: 11 – dezembro / 2011

sábado, 30 de março de 2013

Páscoa na Visão Espírita





Todo ano, a cena se repete. Chega a época dos feriados católicos da chamada "Semana Santa" e surgem as questões:


1.  Como o Espiritismo encara a Páscoa e a Sexta-feira Santa"?;

2.  Qual o procedimento do espírita no chamado "Sábado de Aleluia" e "Domingo de Páscoa"?;

3.  Como fica a questão do "Senhor Morto"?

Sabe que chego a surpreender-me com as perguntas. Não quando surgem de novatos na Doutrina, mas quando surgem de velhos espíritas, condicionados ao hábito católico, que aliás, respeitamos muito. É importante destacar isso: o respeito que devemos às práticas católicas nesta época, desde à chamada época, por nossos irmãos denominada de quaresma, até às lembranças históricas, na maioria das cidades revividas, do sacrifício e ressurgimento de Jesus. Só que embora o respeito devido, nada temos com isso no sentido das práticas relacionadas com a data. São práticas religiosas merecedoras de apreço e respeito, mas distantes da prática espírita. É claro que há todo o contexto histórico da questão, os hábitos milenares enraizados na mente popular, o condicionamento com datas e lembranças e a obrigação católica de adesão a tais práticas. Para a Doutrina Espírita, não há a chamada "Semana Santa", nem tão pouco o "Sábado de aleluia" ou o "Domingo de Páscoa" (embora nossas crianças não consigam ficar sem o chocolate, pela forte influência da mídia no consumismo aproveitador da data) ou o "Senhor Morto".

Trata-se de feriado e prática católica e portanto, não existem razões para adesão de qualquer tipo ou argumento a tais práticas. É absolutamente incoerente com a prática espírita o desejar de "Feliz Páscoa!", a comemoração de Páscoa em Centros Espíritas ou mesmo alteração da programação espírita nos Centros, em virtude de tais feriados católicos. E vejo a preocupação de expositores ou articulistas em abordar a questão, por força da data... Não há porque fazer-se programas de rádio específicos sobre o assunto, palestras sobre o tema ou publicar artigos em jornais só porque estamos na referida data. É óbvio que ao longo do ano, vez por outra, abordaremos a questão para esclarecimento ou estudo, mas sem prender-se à pressão e força da data. Há uma influência católica muito intensa sobre a mente popular, com hábitos enraizados, a ponto de termos somente feriados católicos no Brasil, advindos de uma época de dominação católica sobre o país, realidade bem diferente da que se vive hoje. E os espíritas, afinados com outra proposta, a do Cristo Vivo, não têm porque apegar-se ou preocupar-se com tais questões. Respeitemos nossos irmãos católicos, mas deixemo-los agir como queiram, sem o stress de esgotar explicações. 
Nossa Doutrina é livre e deve ser praticada livremente, sem qualquer tipo de vinculação com outras práticas. Com isso, ninguém está a desrespeitar o sacrifício do Mestre em prol da Humanidade. Preferimos sim ficar com seus exemplos, inclusive o da imortalidade, do que ficar a reviver a tragédia a que foi levado pela precipitação humana. Inclusive temos o dever de transmitir às novas gerações a violência da malhação do Judas, prática destoante do perdão recomendado pelo Mestre, verdadeiro absurdo mantido por mera tradição, também incoerente com a prática espírita. 

A mesma situação ocorre quando na chamada quaresma de nossos irmãos católicos, espíritas ficam preocupados em comer ou não comer carne, ou preocupados se isto pode ou não. Ora, ou somos espíritas ou não somos! 

Compara-se isso a indagar se no Carnaval os Centros devem ou não abrir as portas, em virtude do pesado clima que se forma???!!!... A Doutrina Espírita nada tem a ver com isso. São práticas de outras religiões, que repetimos respeitamos muito, mas não adotamos, sendo absolutamente incoerente com o espírita e prática dos Centros Espíritas, qualquer influência que modifique sua programação ou proposta de vida. Esta abordagem está direcionada aos espíritas. Se algum irmão católico nos ler, esperamos nos compreenda o objetivo de argumentação da questão, internamente, para os próprios espíritas. Nada a opor ou qualquer atitude de crítica a práticas que julgamos extremamente importantes no entendimento católico e para as quais direcionamos nosso maior respeito e apreço. Vemos com ternura a dedicação e a profunda fécatólica que se mostram com toda sua força durante os feriados da chamada Semana Santa e é claro, nas demais atividades brasileiras que o Catolicismo desenvolve. 

O objetivo da abordagem é direcionado aos espíritas que ainda guardam dúvidas sobre as três questões apresentadas no início do artigo. O Espiritismo encara a chamada Sexta-feira Santa como uma sexta-feira normal, como todas as outras, embora reconhecendo a importância dela para os católicos. Também indica que não há procedimento algum para os dias desses feriados. E não há porque preocupar-se com o Senhor Morto, pois que Jesus vive e trabalha em prol da Humanidade.

E aqui, transcrevemos trecho do capítulo VIII de O Evangelho Segundo o Espiritismo, no subtítulo VERDADEIRA PUREZA, MÃOS NÃO LAVADAS (página 117 - 107ª edição IDE): "O objetivo da religião é conduzir o homem a Deus; ora, o homem não chega a Deus senão quando está perfeito; portanto, toda religião que não torna o homem melhor, não atinge seu objetivo; (...) A crença na eficácia dos sinais exteriores é nula se não impede que se cometam homicídios, adultérios, espoliações, calúnias e de fazer mal ao próximo em que quer que seja. Ela faz supersticiosos, hipócritas e fanáticos, mas não faz homens de bem. Não basta, pois, ter as aparências da pureza, é preciso antes de tudo ter a pureza de coração". 

Não pensem os leitores que extraímos o trecho pensando nas práticas católicas em questão. Não! Pensamos em nós mesmos, os espíritas, que tantas vezes nos perdemos em ilusões, acreditando cegamente na assistência dos espíritos benfeitores, mas agindo com hipocrisia, fanatismo e pasmem, superstição... quando não conhecemos devidamente os objetivos da Doutrina Espírita, que são, em última análise, a melhora moral do homem.

Orson Peter Carrara


(Publicado no Boletim GEAE Número 390 de 02 de maio de 2000)